Ficha técnica de receita: modelo com exemplo preenchido
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Ficha técnica de receita: modelo com exemplo preenchido

ChefPro8 min de leitura

No sábado à noite, o escondidinho sai com 300 g na mão de um cozinheiro. No domingo, sai com 380 g na mão da folguista. O cliente que voltou para repetir o prato recebe outra coisa, e no fechamento do caixa ninguém sabe dizer quanto aquele prato custou.

A ficha técnica de receita resolve isso numa folha só: diz como fazer e quanto custa. Aqui está o modelo campo a campo, um exemplo preenchido em reais com a conta aberta e as adaptações para confeitaria, pizzaria, padaria e bar. Se você ainda precisa convencer o sócio de que vale o trabalho, comece por por que a ficha técnica decide o lucro.

O que entra no modelo de ficha técnica

O roteiro de fichas técnicas do Sebraetec (Sebrae, 2025) lista os campos que usamos abaixo, quando aplicáveis: nome da preparação, ingredientes com peso bruto e líquido, fator de perda, tempos de preparo e cocção, valores, rendimento, método de preparo, peso e valor da porção e foto do produto.

CampoO que anotarErro comum
Nome e rendimentoNome do cardápio, peso pronto e número de porçõesEscrever "serve bem 10"
Ingrediente e unidadeItem como você compra, sempre em kg, L ou unidadeUsar "1 colher" ou "um punhado"
Peso líquido (PL)O que vai para a panela, depois de limpoEstimar sem pesar
Fator de correção (FC)Peso bruto dividido pelo peso líquidoCopiar de tabela e nunca testar
Peso bruto (PB)O que você compra para chegar ao PLCalcular custo em cima do PL
Preço de compraÚltimo preço pago por kg ou LUsar o preço de seis meses atrás
Custo da linhaPB × preçoEsquecer óleo e sal
TemposPreparo e cocçãoDeixar em branco
Modo de preparoPassos curtos com temperatura e pontoTexto corrido que ninguém lê na praça
Porção e fotoGramatura servida e prato montadoFoto sem padrão de empratamento

Se você quer entender o FC a fundo, a tabela de fator de correção traz os valores e a forma de usar.

Exemplo preenchido: escondidinho de carne seca

Preços e fatores de correção abaixo são hipotéticos. Troque pelos da sua última nota e dos seus testes de bancada.

Cabeçalho da ficha: escondidinho de carne seca, rendimento de 3,000 kg pronto, 10 porções de 300 g, preparo de 40 minutos, cocção de 50 minutos.

IngredientePL (kg)FCPB (kg)Preço por kgCusto
Carne seca1,0001,201,200R$ 58,00R$ 69,60
Mandioca com casca1,6001,302,080R$ 6,50R$ 13,52
Queijo coalho0,3001,000,300R$ 52,00R$ 15,60
Manteiga0,1001,000,100R$ 48,00R$ 4,80
Creme de leite0,2001,000,200R$ 22,00R$ 4,40
Cebola0,3001,100,330R$ 5,00R$ 1,65
Óleo0,0501,000,050R$ 9,00R$ 0,45
Sal0,0201,000,020R$ 3,00R$ 0,06
TotalR$ 110,08

A conta da porção é direta:

  • Custo total: R$ 110,08
  • Custo por porção: R$ 110,08 ÷ 10 = R$ 11,01
  • Preço no cardápio (exemplo): R$ 39,90
  • CMV da ficha: R$ 11,01 ÷ R$ 39,90 = 27,6%

No delivery, some a embalagem. Com um pote de R$ 1,40, a porção vai para R$ 12,41. Esse número é o ponto de partida para o preço, e o passo a passo completo está em custo de um prato.

Modo de preparo na ficha, em linhas curtas:

  1. Dessalgue a carne seca na véspera, troque a água, cozinhe e desfie.
  2. Refogue a cebola no óleo e junte a carne.
  3. Cozinhe a mandioca, amasse com manteiga, creme de leite e sal.
  4. Monte em camadas, cubra com o queijo e gratine até dourar.
  5. Sirva 300 g por porção, pesados na balança da praça.

Como preencher a ficha em cinco passos

O roteiro do Sebrae prevê acompanhar o preparo de cada produto no local. Faça igual: a ficha nasce na bancada, com a receita sendo produzida, e não de memória no escritório.

  1. Deixe a balança na bancada. Peso de cabeça é o que sai errado.
  2. Pese antes e depois da limpeza. Divida o bruto pelo líquido para achar o seu FC. Repita em dias e lotes diferentes, porque a mandioca de hoje não rende igual à da semana passada.
  3. Pese o pronto. Divida pelo tamanho da porção. Se a conta deu 9,5 porções, anote 9. Meia porção não vai para o cliente.
  4. Lance o preço da última nota. Preço por kg ou por litro, na mesma unidade do peso.
  5. Teste com outra pessoa. Entregue a ficha a quem nunca fez o prato. O que ela perguntar é o que faltou escrever.

Três erros que deixam a ficha mentindo

Custear pelo peso líquido. No exemplo, calcular carne, mandioca e cebola só pelo PL derruba o custo total para R$ 95,21, ou R$ 9,52 por porção. São R$ 1,49 a menos por prato no papel. Em 200 porções no mês, R$ 297,40 somem da sua conta sem você ver.

Gramatura solta. Com 20 g de queijo a mais em cada prato, você gasta R$ 1,04 extras por porção. Em 200 porções, são R$ 208,00, e o CMV da ficha sobe de 27,6% para 30,2%. Só o peso escrito não segura isso. A balança precisa estar na praça.

Preparo-base sem ficha própria. Molho, massa e calda que entram em vários pratos precisam da própria ficha, e o prato usa uma fração dela. O caminho está em sub-receitas e preparos-base.

Como adaptar o modelo ao seu segmento

A base é a mesma. O que muda é o campo que manda no resultado.

SegmentoCampo que precisa aparecerPor quê
ConfeitariaPeso da massa por forma, temperatura e tempo de fornoO rendimento depende da forma usada
PizzariaPeso do disco e gramatura de cobertura por tamanhoCada tamanho tem um custo diferente
PadariaPeso da massa crua por unidade e perda no fornoO pão pesa menos depois de assado
HamburgueriaPeso do blend cru e de cada item da montagemCada fatia e molho entra na conta do lanche
BarDose em ml, gelo, copo e guarniçãoDose sem medidor vira perda invisível
BuffetGramatura por pessoa e por item do cardápioO custo fecha por convidado

Quando revisar a ficha

Ficha com preço velho dá resposta errada com cara de certa. Suponha que a carne seca suba de R$ 58,00 para R$ 65,00 por kg:

  • Custo novo da carne: 1,200 × R$ 65,00 = R$ 78,00
  • Custo total: R$ 118,48
  • Custo por porção: R$ 11,85
  • CMV com o preço antigo: R$ 11,85 ÷ R$ 39,90 = 29,7%
  • Preço para voltar a 27,6%: R$ 11,85 ÷ 0,276 = R$ 42,93

Reajustar ou não é decisão sua, mas agora você decide olhando o número. Esse CMV da ficha é o teórico. Para comparar com o que aconteceu de fato no mês, veja como calcular o CMV. Revise a ficha sempre que um insumo importante mudar de preço, e também quando trocar fornecedor, gramatura ou receita.

Do papel para o sistema

Uma ficha resolve um prato. O trabalho aparece com 40 pratos, porque cada aumento de insumo exige refazer contas em várias folhas. No ChefPro, a ficha reúne rendimento, fator de correção por ingrediente, sub-receitas, modo de preparo, foto e PDF para a equipe. Quando o preço de um ingrediente muda, o custo, a margem e o CMV dos pratos são recalculados. Você cadastra o escondidinho uma vez, e a conta acima deixa de ser refeita à mão.

FAQ

O que é ficha técnica de receita?

É o documento que registra ingredientes, pesos, rendimento, modo de preparo e custo de um prato. Ela padroniza a produção e mostra quanto custa cada porção.

Qual a diferença entre peso bruto e peso líquido?

Peso bruto é o que você compra. Peso líquido é o que sobra depois de limpar, descascar ou desossar. O custo sai do bruto, e a receita usa o líquido.

Preciso de uma ficha para cada prato?

Sim, e também para cada preparo-base. Se o tempo estiver curto, comece pelos pratos mais vendidos e avance para o resto do cardápio.

A ficha técnica inclui gás, energia e mão de obra?

A ficha soma ingredientes e, quando for o caso, embalagem. Gás, energia e mão de obra entram depois, na formação do preço de venda.

Posso usar FC de tabela?

Pode, como ponto de partida. Depois pese na sua cozinha, porque o FC muda com o fornecedor, o corte e a mão de quem limpa.

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